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Quem chega a Zagreb, a capital da República da Croácia, durante o verão pode ter a impressão de que seus moradores gastam a maior parte do tempo bebendo café. Em parte, isso é verdade. Uma das paixões dos croatas é sentar-se numa das centenas de cafeterias espalhadas pela cidade para discutir com amigos a política, o futebol, o futuro. Com o dia claro até por volta de 21h, o movimento vai longe. A novidade nesta cidade de 1 milhão de habitantes e ainda com ares comunistas é que já não se ouve apenas o complicado idioma croata nas mesas. Italianos, franceses, alemães, americanos e até brasileiros (que não precisam de visto para entrar no país) estão se juntando cada vez mais a essa turma.
Depois de Praga, na República Tcheca, e de Budapeste, na Hungria, Zagreb entrou na moda. Ela está se tornando um dos principais destinos de quem quer conhecer um pouco mais do Leste da Europa. O movimento começou a crescer nos últimos cinco anos, dizem os croatas. Gente que visitava a vizinha Itália, agora dá uma esticadinha para conhecer Zagreb, que fica a menos de duas horas de vôo de qualquer cidade italiana. Quem tem mais tempo, visita também o litoral da costa dalmática, mais ao sul do país, em cidades como Split e a histórica Dubrovnik.
Além da beleza das praias, da tranqüilidade de Zagreb (os índices de criminalidade são baixíssimos), os preços são um atrativo a mais na Croácia. Um euro vale sete kunas, a moeda local. Uma refeição que custa 18 euros (R$ 50) em Roma, por exemplo, sai por 7 ou 8 euros (R$ 22) em Zagreb, incluindo a saborosa cerveja local, Ojusco. Um hotel que cobra 75 euros (R$ 205) em Milão, custa quase a metade na capital croata.
Para os turistas mais interessados em travar contato com os locais, o grande barato é se hospedar em casas de família. É fácil achar esse tipo de hospedagem. Com o fim do comunismo, muita gente optou por ganhar a vida como empresário de turismo. Na prática, isso significa alugar quartos dos antigos casarões para os turistas. Já na principal estação de trem da cidade, Glavni Kolodvor, simpáticas senhoras oferecem hospedagem aos visitantes estrangeiros que desembarcam. Se você não encontrar uma delas, vá até o escritório de turismo que funciona no local e peça ajuda. No inverno, os quartos saem por 12 euros (R$ 33). No verão, dá para encontrar um bom quarto com café da manhã por preços entre 20 (R$ 55) e 30 euros (R$ 82). E dá para pechinchar também. Se você não fala croata, não se preocupe. Assim como quase toda a população, todas elas falam um inglês compreensível. E quando não encontram a palavra certa, se arriscam no italiano. A negociação acaba virando um grande divertimento.
Embora todos os guias de turismo locais façam questão de enfatizar que fisicamente a Croácia é um país localizado no centro da Europa, não dá para negar os ares ‘orientais’ de sua capital. O ritmo das pessoas nas ruas é vagaroso, inclusive no trânsito que nada lembra o de grandes capitais como São Paulo ou Roma. Nos restaurantes, come-se devagar e não há pressa também para saborear o café. No centro, onde não circulam ônibus, os trams (uma espécie de bonde) remetem aos anos 50. Os prédios são baixos e com arquitetura do século XIX. Os jardins de Zagreb são tão bem cuidados e as ruas tão limpas que o visitante acostumado ao desleixo das grandes metrópoles tem a impressão de estar numa espécie de cenário de filme. E ainda é fácil identificar uma espécie de disciplina comunista nos seus habitantes: eles falam baixo, não jogam papel no chão e sempre dizem hvala (obrigado!) para tudo.

 

História de Zagreb
A capital da Croácia está dividida em duas partes: a cidade baixa e a alta. Comece pela baixa. Ali estão alguns dos principais museus e atrações históricas da cidade. Dá para conhecer tudo a pé. As ruas são planas e caminhar no verão é um prazer. Comece seu passeio pela Praça Bana Jelacica. Ela é o coração de Zagreb e por ali passam as linhas dos principais trams que cortam a cidade. Também estão localizados dezenas de cafés e sorveterias e atrás da praça está o Dolac, o mercadão ao ar livre, onde em barraquinhas que lembram as feiras se vende de flores a frutas secas. A praça é multiuso para os croatas. Transforma-se em palco para apresentações circenses e até numa quadra de basquete com disputas inflamadas (para quem não se lembra, o Cibona, que já foi um principais times do basquete mundial e onde jogou Drazen Petrovic, é de Zagreb).
No meio da praça está a estátua de um cavaleiro. Seu nome é Josip Jelacic e ele foi uma espécie de governador da Croácia no século XIX. Os croatas o adoram. Ele aboliu a escravatura e promoveu o renascimento da cultura e língua croatas. Foi ele que uniu várias províncias vizinhas que resultariam na atual República da Croácia. Durante o comunismo, a estátua de Josip foi retirada da praça e substituída por uma outra, um tributo aos comunistas. Com o fim da Iugoslávia e a independência da Croácia, a estátua que ficou guardada num porão, voltou com pompa e circunstância ao seu local orig Outra praça que vale a visita é a Marechal Tito, o principal líder iugoslavo. Lá está o imponente Teatro Nacional da Croácia e o Museu de Artes. O melhor lugar para observar a paisagem é o café Kavana Kazaliste, localizado numa das esquinas. De lá, em dez minutos de caminhada, chega-se ao Museu Mimara. Os croatas o chamam pretensiosamente de ‘O Pequeno Prado’, em referência ao museu espanhol. Pode ser pretensão, mas em seu acervo o Mimara tem quadros de Renoir, Rembrand e Rubens só para citar alguns pintores, além de uma impressionante coleção de peças chinesas. A entrada custa 40 kunas, algo em torno de 5 euros (R$ 13).
Na própria Rua Ilica, tome o funicular para a cidade alta. O bondinho é chamado de ‘A Velha Senhora de Zagreb’. A subida dura 55 segundos, mas o que vale é o charme do transporte. O funicular foi inaugurado em 1890 e desde então seus 16 lugares têm sido ocupados por turistas e moradores que querem evitar as ladeiras para chegar à parte histórica de Zagreb. Na cidade alta, estão a catedral e seus mosaicos – que foi destruída pelo terremoto de 1880 e reconstruída – e o Palácio do Governo. Aproveite um pouco a vista e siga para o Museu da Cidade de Zagreb, um dos melhores da capital croata. Lá, é possível ter um panorama dos 1.000 anos da história de Zagreb. Há inclusive vídeos da guerra dos anos 90, contra o Exército iugoslavo, liderado pelos sérvios. Muitos croatas não gostam de tocar nesse assunto, já que o episódio é muito recente e as feridas do conflito ainda estão abertas.
O turista que tem mais tempo deve visitar o Parque Maksimir, uma grande área verde nos arredores da cidade e em frente estádio de futebol do Dínamo de Zagreb, cuja fachada com vidro espelhado lembra um shopping center. Os locais fazem piqueniques nos finais de semana e aproveitam para visitar o zoológico que fica dentro do parque. É tanto sossego que parece que sobra espaço e falta gente. Também vale visitar o monte Medvednica, um refresco no quente verão croata. A floresta fica nos limites da cidade e é fácil chegar lá de tram e subir a montanha de teleférico. No mirante, a vista é sensacional. Sente tome uma cerveja e repare num restaurante de madeira ao lado. Não tem placa com nome, mas entre e peça um goulash, o tradicional ensopado de carne. O deste restaurante é um dos melhores da cidade e custa a bagatela de 6 euros (R$ 16,5).

 

Compras e agitos noturnos – À noite, para quem gosta de agito, a Rua Tkalciceva reúne o melhor dos bares e restaurantes da cidade. Não deixe de provar um cevapcici, um dos pratos típicos da região. São bolinhos de carne, sem molho, bem temperadas e grelhadas. Embora tenha sido criado na Bósnia, o prato é muito popular em toda a região dos Balcãs. Hoje, já virou até fast-food em lanchonetes do centro e é comido com uma generosa porção de cebola crua e pão. Os cevapcici fast-food custam cerca de 21 kunas ou 3 euros (R$ 8).
Se você é daqueles turistas que adora compras, o point é a Rua Ilica, que começa na Praça Ban Jelacic e se estende por 2 quilômetros. Nada que se compare a Milão ou Paris, claro, mas as grandes grifes de moda também começam a chegar a Zagreb. Gaste uns minutos e entre numa loja chamada Nama. Ela era o principal centro de compras durante a era comunista. Nama quer dizer Narodini Magazine, ou loja do povo. Mesmo tendo sido privatizada, entrar ali é uma viagem ao passado. Estão à venda souvenires e roupas produzidas na Croácia, cuja qualidade pode ser comparada a um carro Lada, por exemplo.

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